TEMPO DE JUIZ

Luís Renato Pedroso

Nascido em Foz do Iguaçu e formado pela Faculdade de Direito da Universidade do Paraná, ano da federalização, empolguei-me, inicialmente, pelas lides políticas, sob o pálio do saudoso Brigadeiro Eduardo Gomes, incursionando pelo Ministério Público e, depois, pela advocacia estatal, até ingressar na carreira da magistratura, em 1955.

Percorrendo o interior, exerci a judicatura na antiga Seção Judiciária de Londrina, que abrigava, também, as comarcas de Cambé e Rolândia, fixando-me em Araruva, hoje Marilândia do Sul, Astorga e Londrina, até assumir a Primeira Vara dos Feitos da Fazenda Federal, Estadual e Municipal de Curitiba.

Com a criação do Tribunal de Alçada fui privilegiado com a nomeação, exercendo, então a vice-presidência e a presidência, até assumir a cadeira de desembargador, no egrégio Tribunal de Justiça, onde conquistei a Corregedoria-Geral da justiça, na época mais difícil da minha vida e, depois, a presidência, em pleno ano do Centenário da Criação do Areópago.

Neste interregno, completei o mandato do estremecido Aurélio Feijó, na presidência da querida Associação dos Magistrados do Paraná, sendo investido, em seguida, em mais três mandatos, perfazendo nove anos, eis que o último fora elevado para três anos.

Realizei-me completamente como magistrado, no rigoroso cumprimento dos prazos processuais e no aprimoramento da arte de julgar, tendo por dístico "Aproximar a Justiça Humana da Justiça Divina", certo que, "Justiça é a santidade de Deus em ação".
 
  Como Corregedor preocupou-me, sobremodo, a fixação do juiz na comarca e, por isso, exigia o deslocamento do magistrado com seus familiares para a sede de suas atividades.

Como Presidente, tornei-me itinerante, percorrendo todas as comarcas, no afã de prestigiar o desempenho dos colegas de primeiro grau e seus colaboradores, eis que, em simbiose perfeita com o saudoso Corregedor Henrique César, encerrava as correições que promovia.

É, pois, com imensa saudade que rememoro esse período feliz, onde os percalços eram vencidos, com momentos de indizível alegria e contentamento.

Não cumpre recordar tudo que foi vivenciado, sequer a criação da "Liga de Engraxates Mirins", em Londrina ou o "Grupo de Escoteiros", em Astorga, para educar e disciplinar os jovenzitos, senão registrar, para a posteridade, treze anos depois, que o Juiz cumpre verdadeira missão e que, assim, deverá exercê-la com muito amor e responsabilidade.

Que estas reminiscências sirvam, de algum modo, como estímulo aos novos e talentosos magistrados, depositários da confiança de nosso tão sofrido povo, que anseia por Justiça rápida e célere e que o "Juiz dos Juízes" os abençoe!

Curitiba, novembro de 2006.

 
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