DEPOIMENTO DO DES. ALCESTE RIBAS DE MACEDO AO JORNALISTA ARNOLDO ANATER

 

"A Associação dos Magistrados, isto é dos Juízes de Direito do Paraná surgiu de um ato singelo. Os juízes, quando pleiteavam algum direito, o faziam individualmente, porque não havia um órgão de classe. Os juízes das varas cíveis, da fazenda e da família militavam no Edifício Demeterco. Eu era juiz da 1. Vara Cível e diretor do Fórum.

Certa ocasião fui chamado ao gabinete do Des. Lauro Lopes, presidente do Tribunal de Justiça, no Edifício Garibaldi. Fui com outro colega, cujo nome prefiro não declinar. O Des. Lauro Lopes disse-me que os desembargadores estavam pretendendo um aumento de vencimentos e que o Estado não poderia arcar com igual aumento para toda a magistratura, apenas para os desembargadores. E me pediu que, como diretor do Fórum, solicitasse aos demais juízes compreensão, pois em data próxima o aumento seria estendido a toda a classe.

Respondi, então:

- Desembargador Lauro Lopes, como diretor do Fórum não tenho autoridade para, em nome dos demais juízes, fazer acordo com o Senhor. Depois seria uma traição de minha parte aceitar um aumento discriminado. O Senhor vai me desculpar, mas não posso concordar com isto!

Havia outro desembargador na sala que acrescentou:

- Mas vocês serão beneficiados logo em seguida.

Então o presidente, pensou um pouco e disse:

- Olha, o Alceste tem razão. Se vamos pleitear um aumento, devemos pleitear para toda a magistratura.

O meu colega que a tudo assistia, zangou-se, levantou-se abruptamente, saiu sem se despedir e bateu a porta.
  Daí por diante houve o aumento, mas abrangendo todos os magistrados, como deveria de ser. A criação da associação dos juízes surgiu aí. Retornei ao Edifício Demeterco e expliquei aos colegas que me esperavam aquela situação. Todos estavam de acordo comigo. E alguém sugeriu que deveríamos criar uma associação para defender os interesses dos juízes, por causa daquela atitude insólita do Tribunal. Naquela mesma tarde nos reunimos e foi criada a Associação dos Juizes de Direito do Paraná. A diretoria foi eleita por aclamação e, por bondade dos colegas, fui escolhido presidente. A diretoria foi formada, ainda pelo José Carlos Ribeiro Ribas, o Ernani Abreu, o Guilherme da Motta Correia, Sinval Reis, que era substituto, o Vátel Gonçalves Pereira, se não me engano. O objetivo é este que está aqui no estatuto.

A Associação foi instalada no Edifício Weiss, na Praça Zacarias, no último andar. Nós nos cotizávamos para pagar o aluguel, a luz. Às vezes atrasávamos, mas o locador, Sr. Scarpa, muito bondoso esperava termos o dinheiro.

A Associação nasceu com o propósito de defesa da classe e da independência do Poder Judiciário e vem se desenvolvendo, cumprindo seus ditames, através de extraordinários e sucessivos presidentes.

A minha mensagem é de estímulo e de trabalho, porque a magistratura paranaense está muito bem representada. Os juízes, na sua maioria, são competentes, compenetrados em seus deveres, elevando o conceito do Poder Judiciário. Gostaria de transmitir aos magistrados paranaenses, o meu sentimento de alegria e de gratidão pelo papel que estão desempenhando e que continuem lutando pelo mesmo ideal de Justiça. Aceitem meu abraço e o meu respeito".

 
AMAPAR - Palácio da Justiça, 9° andar - Centro Cívico - CEP 80530-912 - Curitiba / PR - 41-3017-1600 - 41-3017-1601