DEPARTAMENTO CULTURAL DA AMAPAR
Registro histórico. Recordação de minha atuação, como secretário do Departamento Cultural da Associação dos
Magistrados do Paraná - AMAPAR -, com destaque para as atividades realizadas nas décadas de 1970 e
1980.
Accácio Cambi

O Departamento Cultural da Associação dos Magistrados do
Paraná -AMAPAR foi criado em 20.10.72, sendo seu primeiro presidente
o Desembargador Athos Moraes de Castro Velozzo, com a finalidade
de "estimular a cultura do direito e o aprimoramento da função
judicante, através da realização de seminários e conferências nesta Capital e
nas diversas regiões do Estado, bem como da divulgação dos
melhores trabalhos dos associados e da instituição de concurso anual de
monografias jurídicas sobre teses restabelecidas, conferindo-se os
melhores prêmios em dinheiro ou em obras jurídicas
de reconhecido valor".
Entre as grandes realizações do
Departamento Cultural, merece destaque os
Seminários Regionais da Magistratura, iniciados
quando exercia a presidência do Departamento
o Desembargador Ary Florêncio Guimarães,
sendo seu secretário o juiz Vicente Troiano Neto.
O primeiro Seminário Regional da
Magistratura Paranaense foi efetivado na Comarca
de Apucarana, nos dias 19 e 20 de abril de 1975, por sugestão, talvez, do juiz Troiano Neto,
que, depois de exercer sua função na Vara Cível
de Apucarana, foi promovido para Curitiba. Nele, foram abordados os temas: "Aceleramento
da prestação jurisdicional: dever que se impõe à Magistratura" e "Das
dificuldades e dúvidas na aplicação do procedimento sumaríssimo do
novo Código de Processo Civil", este por mim apresentado por
"imposição" da presidência do Departamento e de seu secretário, sob pena de não
ser realizado aquele evento.
Outros seminários foram concretizados, no período em que me
encontrava à frente da Vara Cível de Apucarana II SRMP, 21 e 22 de
junho de 1975, em Guarapuava; III SRMP, 13 e 14 de setembro de 1975;
IV SRMP, 13 e 14 de março de 1976, de Ponta Grossa; V SRMP, 21 e 22
de agosto de 1976, de Cascavel; VII SRMP, 16 e 17 de outubro, de
Londrina -, tendo deles participado como juiz convocado.
Alguns meses após a realização daquele seminário em
Apucarana, em fevereiro de 1977, fui promovido para a entrância final de
Curitiba, por ocasião da criação das novas Varas Cíveis e Criminais pelo
Código de Organização e Divisão Judiciárias do Estado, na gestão do
Desembargador Ariel Ferreira do Amaral. Assumi o cargo de Juiz de Direito
Substituto da Capital, sendo designado para atuar na 11ª Vara Cível,
onde dividi as funções jurisdicionais com o juiz Troiano Neto. No ano
seguinte, fui removido para a 15ª Vara Cível, recém
criada, na qual permaneci, como seu titular, por oito (8) anos.
Na Capital, tive grande participação
nas atividades da AMAPAR: reuniões semanais,
nas tardes de sexta feira da diretoria; secretário
do Departamento Cultural cargo para o qual foi escolhido em 29.4.77, participando da
diretoria composta pelo Desembargador Ary
Florêncio Guimarães e pelos juízes Cláudio Nunes
do Nascimento, Zanoni de Quadros Gonçalves, Vicente Troiano Neto, Newton Álvaro da Luz
e Ronaldt Grollmann.
Durante o período em que atuei como
secretário do Departamento Cultural - de abril
de 1977 até fevereiro de 1988 -, o
Departamento, sob a presidência dos Desembargadores Ary Florêncio
Guimarães, Ildefonso Marques e Ronald Accioly Rodrigues da Costa, teve
intensa atividade cultural: Seminários Regionais da Magistratura
Paranaense (SRMP), Seminários Interestaduais, Congressos Estaduais, concursos
de monografia e palestras.
Para ressaltar a importância que foram os eventos culturais
efetivados no período em que atuei como secretário do Departamento para
a formação jurídica dos magistrados paranaenses, pois, neles, os
juízes atuavam como palestrantes, tendo o patrocínio da AMAPAR e o apoio
da Presidência do Tribunal de Justiça do Estado, passo a relacionar
os eventos realizados:
Em Paranavaí, de 19 a 21 de agosto/77, 8º Seminário Regional
da Magistratura Paranaense (SRMP). Palestrantes: juízes Celso Araújo
Guimarães e Idevan Batista Lopes. Temas: "Da Intervenção de Terceiros
no Processo Civil" e "Da Prisão e da Liberdade Provisória (Título IX
do C.P.Penal).
Em Pato Branco, de 25 a 27 de novembro/77, 9º SRMP.
Palestrantes: juízes Antonio Domingos Ramina e Carlos Raul da Costa
Pinto. Temas: "Da Revelia e seus efeitos no C.P.Civil" e "Inovações na
execução da pena".
Em Paranaguá, de 21 a 23 de abril/78, 10º SRMP.
Palestrantes: juízes Ruy Fernando de Oliveira e Paulo Roberto A. Rodrigues da
Costa. Temas: "Do ônus da prova no Processo Civil" e "Das Medidas
Assecuratórias no Processo Penal".
Em Campo Mourão, de 6 a 8 de outubro/78, 11º SRMP.
Palestrantes: juízes Emílio Luiz Augusto Prohmann e Edegard Rubens
Riecke. Temas: "Das Ações Possessórias no C.P.Civil" e "Dos Poderes do Juiz
na direção do Processo Penal (Terapêutica Preventiva das Nulidades e
do Cumprimento dos Prazos)".
Em Cornélio Procópio, de 15 a 17 de junho/79, 12º SRMP.
Palestrantes: juízes Oldory Campos Barbosa, Ronald Juarez Moro,
Toshiaru Yokomizo e Ayrton José Saldanha. Temas: "Da arrematação e do
pagamento ao credor"; "Fraude à Execução e Fraude Contra Credores";
"Da prisão e da liberdade provisória na nova sistemática penal" e "Do
perdão judicial nos casos de homicídio e lesões corporais culposos.
Em Ivaiporã, de 30 de novembro a 2 de dezembro/79, 13º
SRMP. Palestrantes: juízes Dulce Maria S. Eufemia Cecconi, Sérgio
Rodrigues, Marco Antonio de Moraes Leite e Gilberto Resende. Temas: "Da
separação consensual e da litigiosa"; "Do Divórcio"; "Da execução da pena. Da
competência do juiz local. Da competência do Juiz das Execuções
Penais" e "Da aplicação da pena".
Em Toledo, de 13 a 15 de junho/80, 14º SRMP. Palestrantes:
juízes Paulo Roberto Hapner e Celeste Luiz Chemin. Temas: "As ações
imobiliárias de caráter pessoal e real (Possessórias e Reivindicatórias)" e
"Procedimento especial de menores".
Em Umuarama, de 12 a 14 de setembro/80, 15º SRMP.
Palestrantes: juízes Joel Pugsley e José Carlos Lins Santos. Temas: "Dos
contratos agrários" e "Da agilização no Processo Penal".
Em Francisco Beltrão, de 5 a 7 de junho/81, 16º SRMP.
Palestrantes: juízes Arno Gustavo Knoerr e Flávio Araújo.Temas:
"Considerações sobre a culpa e a reparação do dano no Direito Civil" e "Da
sedução e da corrupção de menores. Peculiaridades das provas ante as
modernas técnicas da ciência médica".
Em Apucarana, de 18 a 20 de setembro/81, 17º SRMP.
Palestrantes: juízes Miguel Thomaz Pessoa Filho e João Casemiro
Wielewicki. Temas: "Da preclusão no Direito Processual Penal" e "A
correção monetária em face da Lei nº 6.899 de 8 de abril de 1981".
Em Palmeira, de 11 a 13 de junho/82, 18º SRMP.
Palestrantes: juízes Cândido Francisco de Oliveira, Paulo Habith, Vitor Leal e
Ernani Mendes Silva. Temas: "A ação de alimentos sem prova
pré-constituída de filiação"; "Interpretação do art. 18 da Lei de parcelamento
do solo urbano"; "Responsabilidade por dano processual (litigante
de má-fé)" e "Execução. Vários devedores. Penhora em bens de
um deles".
Em Cascavel, de 8 a 10 junho/84, 19º SRMP. Palestrantes:
juízes Rui Cunha Sobrinho, Paulo Roberto Hapner, Roberto Sampaio
da Costa Barros e Robson Marques Cury. Temas: "Contravenção de
vadiagem"; "Acolhimento liminar dos embargos à execução
(prescrição)"; "Correção monetária e a Lei Falimentar" e "Adoção".
Em Cianorte, de 1 a 3 de agosto/85, 20º SRMP abordou o
tema geral "Inovações no Código Penal". Os temas e os conferencistas
escolhidos foram os seguintes: "Individualização da Pena privativa de
liberdade", prof. Ildefonso Marques; "Da Sentença Penal", prof. Antonio
Acyr Breda; "Aspectos Práticos da Reforma Penal", prof. Sérgio de
Moraes Pitombo; "Concurso de Pessoas", prof. Luiz Vicente Cernicchiaro;
"Aspecatos Gerais da Reforma Penal", prof. Damásio Evangelista de
Jesus; "Aplicação das novas leis penais aos processos". Prof. Eros
Nascimento Gradowski e "A Execução Penal", prof. René Ariel Dotti".
A partir desse Seminário, houve sensível modificação na
programação dos eventos: as palestras deixaram de ser proferidas
exclusivamente por juízes, passando a serem efetivadas, também, por professores
de renome nacional.
Em Ibaiti, de 29 e 30 de novembro e 1 de dezembro/85, 21º
SRMP abordou os temas: "A nova lei do cheque", prof. Alfredo Assis
Gonçalves Neto; "A expropriação de bens penhorados", prof. Ivan Ordine Righi, e
"A competência do juiz da sentença na execução penal Resolução
04/85 do Tribunal de Justiça do Paraná", juiz Antonio Domingos Ramina.
Em Laranjeiras do Sul, de 27 a 29 de junho/86, 22º XXII
SRMP abordou os temas: "O Processo Penal e a Constituinte", prof.
Antonio Acyr Breda, e "A posse e a sua proteção, por meio dos interditos:
dúvidas e controvérsias", juiz Jorge Sato; "Aspectos Processuais do
Usucapião", juiz Lauro Laertes de Oliveira e "o Judiciário na Constituição",
Dês. Luís Renato Pedroso.
Em Goio-erê, de 3 a 5 de outubro/86, no 23º SRMP, proferiram
palestras os professores Joaquim Munhoz de Mello e Ruy Barbosa Corrêa Filho.
Em Andirá, de 27 a 29 de março/87, 24º SRMP. Palestrantes: juízes
José Cichocki Neto e Luiz Sebastião Fávero. Temas: "Ação Cautelar Inominada"
e "Cheque sem fundos. Pagamento antes da denúncia. Súmula 554 do
STF. Artigo 16 do Código Penal".
Em Palmas, de 26 a 28 de junho/87, 25º SRMP. Palestrantes: juízes
José Maurício Pinto de Almeida e Paulo Habith. Temas: "Alguns aspectos
das nulidades processuais" e "Registro de Imóveis. Ação de retificação Lei
nº 6.015/73".
No mesmo período, ainda, foram realizados outros eventos culturais,
tais como:
1º Congresso Estadual da Magistratura Paranaense, em Curitiba,
nos dias 24, 25 e 26 de novembro/78, no qual foram reapresentados os
temas já discutidos nos seminários regionais, sendo elaborado, a final, um
ementário da matéria aprovada pelo plenário do Congresso.
1º Encontro Interestadual da Magistratura, nas Comarcas de
União da Vitória e Porto União, nos dias 23, 24 e 25 de novembro de
1979, reunindo naquelas cidades juízes do Paraná e de Santa Catarina.
1º Concurso de monografia. Em 14.12.78, foi aprovado, pela
comissão julgadora, composta dos professores Altino Portugal
Soares Pereira, Francisco José Ferreira Muniz e José Lamartine Correa de
Oliveira Lira, o trabalho apresentado pelo juiz Moacir Guimarães sobre o
tema "Divórcio".
2º Concurso de monografia. Foram aprovados os trabalhos
pela comissão julgadora, constituída pelos professores Joaquim
Roberto Munhoz de Melo; Alcides Munhoz Neto e Newton José de Sisti, os
seguintes trabalhos: 1º lugar "Do ônus da prova" do juiz Munir Karam; 2º
lugar "A correição parcial e a recorribilidade das decisões interlocutórias"
do juiz Edson Ribas Malachini; 3º lugar "O perdão judicial" do juiz
Ayrton José Saldanha.
Após exercer o cargo de secretário do Departamento Cultural,
por cerca de onze (11) anos, em 14.3.88, sucedeu-me naquela função o
juiz Leonardo Pacheco Lustosa, quando presidia o Departamento o
Desembargador Henrique Chesnou Lenz César.
Essa atividade muito acrescentou à minha vida de magistrado.
A convivência com ilustres desembargadores, que presidiram o
Departamento Cultural, foi gratificante, nas reuniões administrativas, e
sobretudo nas viagens realizadas pelo interior do Estado, secretariando os
eventos programados. Nessas ocasiões, tive a oportunidade de conviver
com grande parte dos juízes da capital e do interior, com os quais
muito aprendi para melhor exercer as minhas funções jurisdicionais, nas
Varas de Curitiba e, depois, nos Tribunais de Alçada e de Justiça, onde
permaneci por quase vinte (20) anos.
Por tudo isso, a secretaria do Departamento Cultural da AMAPAR
foi para mim uma escola de aprendizagem, que muito contribuiu para a
minha formação pessoal e jurídica, e daquele tempo trago na memória as
melhores recordações.
Nos festejos do cinqüentenário de criação da AMAPAR,
resta-me agradecer àqueles muitos dos quais já partiram para outra vida -
que, confiando na minha pessoa, propiciaram-me a oportunidade de servir
à Associação, no honroso cargo de Secretário do Departamento Cultural.
À Associação dos Magistrados do Paraná - AMAPAR,
finalmente desejo que continue cumprindo a sua nobre missão de bem servir
aos associados, proporcionando-lhes meios, para que possam, atualizando
e aprimorando os seus conhecimentos, cumprir o preceito
constitucional: "assegurar a todos a razoável duração do processo e de implementar
os meios que garantam a celeridade de sua tramitação" (inciso LXXVIII,
do art. 5º, CF), assim como prestando-lhes toda assistência necessária,
a fim de que tenham melhor qualidade de vida, juntamente com
seus familiares.
Parabéns AMAPAR !!!
Accácio Cambi
Diretor-Geral da Escola da Magistratura do Paraná.