A AMAPAR E A FORMAÇÃO DE MAGISTRADOS
José Maurício Pinto de Almeida

A Associação dos Magistrados do Paraná, desde 1983,
vem dando mostras de sua adesão à teoria da formação
profissionalizante de magistrados, quando, em iniciativa vanguardista, fundou a
Escola da Magistratura do Paraná, que logo se expandiu para o
interior, inicialmente a Londrina, Maringá e Ponta Grossa.
Graças à abnegação dos magistrados envolvidos em seu
pleno funcionamento, nossa Escola, ininterruptamente, vem
ministrando cursos normais de preparação à carreira e também de atualização
nos diversos ramos do Direito, e, mais recentemente, de formação
inicial aos Juízes Substitutos aprovados e já nomeados, em
experiências-piloto bem sucedidas, que, a partir do próximo concurso, essa
iniciação será de três meses (já investidos, mas antes de se deslocarem
às Seções Judiciárias), uma das metas do atual Presidente do
Tribunal de Justiça, Des. José Antonio Vidal Coelho.
Aliás, a parceria Escola da magistratura e Tribunal de Justiça
vem sendo estreitada desde 1996, quando o Conselho da
Magistratura, em Resolução aprovada pelo acórdão 7.555, disciplinou
o procedimento de vitaliciamento dos magistrados, com
explicitação de que a Escola da Magistratura seria responsável pela
preparação do Juiz Formador, o que desde então vem ocorrendo, e a cada ano
se aprimorando.
Em plano maior, por duas vezes, os magistrados
paranaenses apresentaram, em Congressos Nacionais da Magistratura (no X,
em 1986-Recife; e no XI, 1990, Camboriú)[1], sugestões no sentido
de os cursos de preparação à carreira da magistratura serem
realizados depois de o candidato obter aprovação no concurso. E, na
seqüência de intercâmbios com instituições estrangeiras de formação
de magistrados, o colega Jorge Massad nos representou, em janeiro
de 1994, em visitação proporcionada pela Escola Nacional
da Magistratura, por seu então Presidente Ministro Sálvio de
Figueiredo Teixeira, às Escolas Francesa e Portuguesa (C.E.J.), e,
mais recentemente, o colega Miguel Kfouri Neto realizou curto estágio
na Escola Francesa.
Convicta da importância da teoria da formação na era
da globalização, a Associação dos Magistrados do Paraná
promoveu, em 22 e 23 de abril de 1997, em Curitiba, dois históricos
eventos. No dia 22, a uma platéia repleta de cursistas da Escola da Magistratura
do Paraná e da Escola Superior do Ministério Público,
magistrados, membros do Ministério Público, advogados, acadêmicos de
Direito da Faculdade de Direito de Curitiba, o Diretor do Centro de
Estudos Judiciários de Portugal e Ministro do Supremo Tribunal de
Justiça luso Armando Acácio Gomes Leandro proferiu palestra sobre
"A Formação dos Magistrados Portugueses" no auditório do Tribunal
de Justiça do Paraná - uma aula de humanismo e de crença
no investimento na formação. No dia 23, no mesmo local, foi
realizado um painel sobre a Teoria da Formação, do qual participaram, além
de Armando Leandro, a Dra. Isabel Jegouzo, Diretora da Escola
da Magistratura da França, a Dra. Odete Maria Rocha de Oliveira,
Sub-Procuradora Geral da Justiça portuguesa, o Desembargador
Newton Álvaro da Luz, Diretor da Escola da Magistratura do Paraná, e
o Procurador de Justiça Gláucio Antônio Pereira, Diretor da
Escola Superior do Ministério Público.
Na mesma semana (abril/97), em Foz do Iguaçu, no
Congresso Internacional de Direito Comunitário e do Mercosul", promovido
pela AMAPAR, concretizou-se um painel sobre a "Teoria da
Formação", que contou com a participação do Desembargador paulista
Sidnei Agostinho Beneti, da Escola Nacional da Magistratura, do
Juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça de Portugal,
Armando Acácio Gomes Leandro, então Diretor do Centro de
Estudos Judiciários de Portugal, e da Dra. Isabele Jegouzo, Diretora da
Escola da Magistratura da França.
E a ênfase notada nesses acontecimentos foi a de que,
muito mais agora, na globalização, é preciso investir na
formação profissionalizante do magistrado; é mister que se debata e se
analise a Teoria da Formação.
Em 1992, tão logo a Diretor do Centro de Estudos Judiciários
de Portugal (a "Escola da Magistratura de Portugal") enviou à AMAPAR
o convite para um magistrado paranaense freqüentar a primeira fase
(Teórico-Prática) do XI Curso Normal de Formação, sem ônus àquela
instituição, promoveu-se um concurso de monografia sobre o tema "O Poder
Judiciário Brasileiro e sua Organização"[2], cuja banca esteve composta
pelos colegas Tufi Maron Filho, Onésimo Mendonça Anunciação e Antonio
Lopes de Noronha. O resultado foi divulgado em maio daquele ano, e eu tive
a honra (então Juiz de Direito da Comarca de Irati) de obter a primeira
classificação, partindo para Lisboa em meados de
agosto, arcando com minhas despesas de manutenção, tendo
o nosso Egrégio Tribunal de Justiça concedido ajuda
de custo para o transporte aéreo (integral) - , com visão
de que essas empreitadas poderiam trazer ao futuro magistrado paranaense uma formação
mais adequada.
Ao depois de meu retorno, apresentei
à Associação dos Magistrados do Paraná, ao
Tribunal de Justiça e ao Centro de Estudos
Judiciários relatório sobre o estágio de observação
que desenvolvi em Portugal, dividido em três partes:
a primeira referente à formação dos
magistrados portugueses no Centro de Estudos
Judiciários, discorrendo em pormenores sobre a
metodologia aplicada e a estruturação da Escola Portuguesa;
na segunda parte, comentei sobre a
sistemática judiciária portuguesa, uma vez que, nos
períodos em que não havia sessões no Centro,
estagiei também nos tribunais portugueses, tendo
participado de deliberações secretas e de mesas de
julgamento em tribunais coletivos, gestos de cortesia
dos colegas portugueses para com os brasileiros;
por fim, na terceira parte, à guisa de
conclusão, apresentei várias sugestões para a formação
de magistrados no Brasil, decorrentes da
experiência obtida em terras lusas[3].
A experiência na Escola Portuguesa
continuou por mais tempo, na década de 90, porém
em períodos menores: lá estiveram Jorge de
Oliveira Vargas, Fabian Schweitzer, Diocélia Fávaro, Elizabeth Calmon de
Passos e José Laurindo de Souza Neto.
Assim, realizo um breve registro histórico sobre a participação
da AMAPAR na formação dos magistrados nesses anos de existência.
1]Em 1986, no Recife, trabalho de minha autoria; em 1990, em Camboriú,
do colega Francisco de Paula Xavier Neto.
[2]Com o mesmo título, a AMAPAR patrocinou a metade da primeira
tiragem desse trabalho (Juruá, agosto de 1992). Atualmente, na 4ª tiragem. O Presidente
de então era o colega Luiz Cezar Oliveira, que, com Ruy Fernando Oliveira e
Francisco de Paula Xavier estabeleceram as tratativas do convênio com a Escola Portuguesa.
[3]Relatório aprovado pelo Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Paraná
e pela Associação dos Magistrados do Paraná no primeiro semestre de
1994.
José Maurício Pinto de Almeida
Desembargador do TJPR